Introdução à Teologia

"Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis"
(Romanos 1:19-20)







Unidade 2: TEOLOGIA SIMBÓLICA DO ANTIGO TESTAMENTO

 Propósito: Identificar e analisar as formas simbólicas de Cristo presentes no Antigo Testamento de forma velada, obscurecida, e que foram reveladas e se cumpriram no Novo Testamento na pessoa de Jesus.

 Definir tipo e antitipo
 Tipos de Jesus Cristo no Antigo Testamento
 Simbologia do Tabernáculo
 Sacerdócio e Sacrifícios aplicados à vida cristã hoje
- Paralelo entre o sacrifício do AT e do NT
- Sacerdócio de todos os santos

 A Bíblia é um livro cristocêntrico

 Jesus está presente em toda a Bíblia, desde antes da fundação do mundo.

“Ele estava no princípio com Deus.Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”.(João 1:2-3)

 Embora Cristo só seja revelado no NT, toda a Escritura converge em sua direção.


 O Antigo Testamento está cheio de representações simbólicas (tipos) de Jesus:

 Promessa Messiânica (Gn 3:15 - Protoevangelho)
 Serpente no deserto (Jo 3:14-15)
 Abraão e Isaque (Gn 22:2-13)
 José e seus irmãos (Gn 37:18)
 Moisés – Libertador (At 7:35)
 Tabernáculo (Ex. 25:8)

 Definição de TIPO e ANTITIPO

TIPO: (gr. typos) Figura, sombra de algo futuro, representação simbólica, velada do porvir (prefiguração). Hebreus 10:1 / I Coríntios 10:11

ANTITIPO: É a materialização do tipo, o cumprimento da promessa, a revelação da figura até então sombreada.

TIPOS DE JESUS NO AT:

Adão (I Co. 15:21-22)
Abel
Melquisedeque (Hb. 7:1-3)
José
Moisés

TABERNÁCULO

 A Simbologia do Tabernáculo
 Elementos simbólicos:
 As Colunas e os Véus
 Pia de Bronze
 Altar do Holocausto
 Candelabro
 Mesa dos Pães da Proposição
 Altar de Incenso
 Arca da Aliança - Propiciatório

 Tipos de Sacrifício:

Voluntários:
 Holocausto (Lv.1)
 Oferta de manjares (Lv.2)
 Sacrifício pacífico (Lv.3)

Obrigatórios:
 Oferta pelo pecado (Lv.4)
 Oferta pela culpa (Lv.5)

 Sacerdócio e Sacrifício aplicados à vida cristã
 SACRIFÍCIO
 SACERDÓCIO

- NT: Sacerdócio de todos os santos

“Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; Vós, que em outro tempo não éreis povo, mas agora sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia, mas agora alcançastes misericórdia.” (1 Pe 2:8-9)

Unidade 3: TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO

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 Propósito: Compreender, de forma sucinta e objetiva, a revelação de Deus contida no Novo Testamento, especificamente na pessoa de Jesus, bem como no surgimento da Igreja e nas mensagens das Epístolas.

 1. Introdução ao Novo Testamento

 Testamento significa aliança. Deus havia feito uma aliança com o seu povo escolhido, o povo de Israel: eles seriam o seu povo, e JHWH seria o Deus deles (Gn 15.17-20; 17.1-14,21; 28.10-15).

 Por meio dos profetas, Deus prometeu fazer uma nova aliança com o seu povo (Jr 31.31-34), e a sua promessa se cumpriu em Jesus Cristo (Lc 22.20; Hb 9.15).

 Fazem parte do povo desta Nova Aliança todos aqueles que aceitam e proclamam Jesus Cristo como o seu Salvador e Senhor.

 Os primeiros seguidores de Jesus eram os judeus, a exemplo do próprio Jesus. E todos eles tinham as Escrituras do Antigo Testamento como a sua Bíblia. Os escritores dos livros do Novo Testamento usavam o AT para mostrar que, por meio de Jesus Cristo, Deus havia cumprido as promessas que ele havia feito ao seu povo. O próprio Jesus fez isso, como se vê em Lucas 24.25-37, 44-47.

 Todos os Livros do NT escritos em grego, o grego coinê (comum), que era falado em todo o Império Romano.

 Os títulos “Antigo Testamento” e “Novo Testamento” só começaram a ser usados pelos cristãos no fim do segundo século d.C.

 1.1. Conteúdo do Novo Testamento

 O NT é composto pelos seguintes livros:

- Evangelhos (4)
- Atos dos Apóstolos (1)
- Epístolas Paulinas (13)
- Epístolas Gerais (8)
- Apocalipse (1)

 Os livros do Novo Testamento não estão arranjados na ordem cronológica em que foram escritos. O primeiro deles foi, segundo estudiosos, a Carta de Paulo aos Gálatas (49 dC), durante sua Primeira Viagem Missionária. O último, acredita-se, tenha sido o Evangelho de João, perto do fim do primeiro século.

 Todo o texto do NT foi produzido, portanto, antes do fim do século I dC.

 Todos os documentos originais (chamados de “autógrafos”, ou seja, “escrito pelo autor”) se perderam. O que temos são cópias de cópias, feitas à mão. As cópias mais antigas são do século II da era cristã.

 1.3. O Mundo do Novo Testamento

SITUAÇÃO POLÍTICA:

 Quando Jesus nasceu, a Israel estava sob o domínio do Império Romano e era governada pelo rei Herodes, o Grande (47-4 aC). Depois da morte de Herodes (Mt 2.19-21), o reino foi dividido entre os seus filhos, e no ano 6 dC, após o Imperador Augusto assumir o trono de Roma, a Judéia passou a ser governada por Procuradores romanos, um deles Pôncio Pilatos, que governou de 26 a 36 dC.

 Embora as autoridades romanas procurassem fazer um governo justo, para muitos judeus era intolerável que o povo de Deus fosse dominado por pagãos. Os membros do partido de Herodes (Mt 22.16; Mc 3.6; 12.13) queriam que um dos descendentes do rei Herodes governasse, em vez do Governador romano. E os nacionalistas (Lc 6.15; At 1.13) – também conhecidos como “zelotes” – queriam levar os judeus a se revoltarem contra Roma.

SITUAÇÃO RELIGIOSA:

 No primeiro século da era cristã, Jerusalém era a cidade de Deus, e o Templo era onde ele se fazia presente entre o seu povo. Ali, os judeus ofereciam os seus sacrifícios. Jerusalém era o palco das grandes festas religiosas, com destaque para a Páscoa, a Festa da Colheita e a Festa dos Tabernáculos. Nessas ocasiões, todos os homens judeus deviam ir a Jerusalém e participar dessas festas (Dt 16.16,17).

 O Sumo Sacerdote ocupava o mais alto cargo na hierarquia religiosa dos judeus. Ele era o presidente do Conselho Superior, integrado por setenta e um membros, inclusive o presidente. Uma vez ao ano, no Dia do Perdão, ele entrava no Lugar Santíssimo do Templo e ali oferecia sacrifícios para conseguir o perdão dos seus próprios pecados e dos pecados do povo de Israel.

 Na época de Jesus, o Sumo Sacerdote era Caifás (de 18-36 dC).

 1.4. Partidos Políticos e Religiosos

 FARISEUS: O grupo maior e mais importante é o chamado os fariseus. A palavra em si significa "separatistas", tendo sido, provavelmente, aplicada como expressão de escárnio aos oponentes. Eles seguiam rigorosamente a Lei de Moisés, as tradições e os costumes dos antepassados (Mt 9.11,14; 12.1,2; 19.3; Lc 18.11,12; At 15.5). Eles foram contra Jesus (Mt 9.34; 12.14; 16.1-12; Jo 9.17; 11.47,48,57), mas alguns deles o trataram com respeito e cordialidade (Lc 7.36-50; 11.37; Jo 3.1; 7.50,51; 19.39,40). O apostolo Paulo foi criado fariseu (At 23.6; 26.5; Fp 3.5,6) e aluno do renomado mestre fariseu Gamaliel, de Jerusalém (At 22.3).

- Zelotes: Representavam o desenvolvimento na extrema esquerda entre os fariseus. Estavam interessados na independência da nação e sua autonomia, ao ponto de negligenciarem toda outra preocupação. Segundo Josefo, o fundador foi Judas de Gamala, que iniciou a revolta sobre o censo da taxação, em 6 d.C. Seu alvo era sacudir o jugo romano e anunciar o reino messiânico. Eles precipitaram a revolta em 66 d.C, que levou à destruição de Jerusalém em 70. Simão, o zelote, foi um dos apóstolos.

- Essênios: Representavam o desenvolvimento na extrema direita entre os fariseus. Eram uma ordem distinta, na sociedade judaica, mais que uma seita dentro dela. Sendo o elemento mais conservador dos fariseus, eles enfatizavam a observação minuciosa da lei. Formavam uma comunidade ascética ao redor do Mar Morto, e viviam uma vida rigidamente devota. Eram a sobrevivência dos hasidins mais estritos, influenciados pela filosofia grega. A partir dos documentos de Qumram, parece que eles aguardavam um Messias que iria combinar as linhagens real e sacerdotal, numa estrutura escatológica. Este grupo não é mencionado em o Novo Testamento.

 SADUCEUS: Um pequeno mas poderoso grupo religioso dos judeus. Eram sacerdotes e as pessoas ricas e de influência de Jerusalém (At 5.17). Controlavam o sinédrio e qualquer resquício de poder político que restava. Também controlavam o templo. Não se davam bem com os fariseus (Mt 22.23-32; At 23.6-9), mas às vezes se juntaram com eles contra Jesus (Mt 16.1-4). Embora a origem da seita esteja perdida na obscuridade, o nome pode ter-se derivado de um certo Zadoque, dos dias de Salomão. Pode ter vindo da palavra hebraica "zoddikim", que significa "os justos". Os saduceus gabavam-se de sua fidelidade à letra da lei mosaica. Era o partido da aristocracia e dos sacerdotes abastados. Teologicamente conservadores (diziam), limitavam o cânon à Torah ou Pentateuco. Rejeitavam as doutrinas da ressurreição, demônios, anjos, espíritos, e advogavam a vontade livre, em lugar da providência divina. Este grupo não sobreviveu à Guerra Judaico-Romana de 66-70.

 MESTRES DA LEI: Judeus eruditos que eram mestres das Escrituras hebraicas, especialmente dos livros da Lei de Moisés, os primeiros cinco livros da Bíblia. Estes homens esclareciam dúvidas sobre o que as Escrituras Hebraicas querem dizer, citando opiniões dos famosos mestres judeus do passado. Eram chamados de “Rabi” (ou “Rabôni”), que quer dizer “Meu Mestre” (Mt 2.14; 5.20; 7.29; 15.1,2; 22.25; Mc 1.22; Lc 7.30; 10.25; 11.45,46,52; At 5.34).

 PARTIDO DE HERODES: Judeus que preferiam ser governados por um descendente do rei Herodes, o Grande,em vez de um governador romano, como Pôncio Pilatos (Mt 22.16; Mc 3.6; 12.13).

 SAMARITANOS: Pessoas nascidas em Samaria, região que ficava entre a Judéia e a Galiléia. Os judeus e os samaritanos n ao se davam por causa de diferenças de raça, religião e costumes (Mt 10.5; Lc 9.52,53; 17.15-18; Jo 4.7-9,20; 8.48).


 NICOLAÍTAS: Seguidores de uma seita herética que perturbavam as igrejas em Éfeso e de Pérgamo (Ap 2.6,15).

 2. BIOGRAFIA SINTÉTICA DE JESUS

Seria a semente de uma mulher
Seria descendente de Abraão, Isaque e Jacó
Descenderia da tribo de Judá
Seria o herdeiro do trono de Daví
Seu lugar e época de nascimento
Nasceria de uma virgem
A matança dos meninos
A fuga para o Egito
Seu ministério na Galiléia
Seria sacerdote, como Melquisedeque
O desprezo por parte dos Judeus
Sua entrada triunfal
Seria traído por um amigo
Seria vendido por trinta moedas de prata
O dinheiro seria devolvido para comprar o campo de um oleiro
O lugar de Judas devia ser ocupado por outro
Testemunhas falsas o acusariam
Permaneceria em silêncio quando acusado
Seria golpeado e cuspido
Seria odiado sem motivo
Sofreria em substituição a nós
Seria crucificado com pecadores
Suas mãos e pés seriam trespassados
Seria escarnecido e insultado
Dariam a ele fel e vinagre
Ouviria palavras proféticas com zombaria
Oraria por seus inimigos
Seu lado seria trespassado
Os soldados lançariam sortes sobre suas roupas
Seus ossos não seriam quebrados
Seria sepultado com os ricos
Sua ressurreição
Sua ascensão

 2.1. Quem é Jesus? (Vídeo)Mc 8:27-29

 3. A Igreja Primitiva


 Dia de Pentecostes
 Atos dos Apóstolos
 Viagens Missionárias de Paulo
 Fundação de Igrejas
 Cartas às Igrejas e às Lideranças Eclesiásticas

 4.1. Cartas de Paulo

 GÁLATAS (1ª Carta): Salvação pela Graça, independente das obras, Liberdade cristã, Obras da carne x Fruto do Espírito

 I CORÍNTIOS: Problemas eclesiásticos, Igreja, Dons espirituais e Ressurreição

 II CORÍNTIOS: Conceitos de Paulo sobre o seu ministério e defesa de seu apostolado

 I TESSALONICENSES: A Volta de Cristo e o Arrebatamento da Igreja

 II TESSALONICENSES: A Volta de Cristo e o Anticristo

 ROMANOS: Justiça de Deus, Pecado, Morte de Cristo e Justificação pela fé (Única igreja que Paulo não fundou)

 I TIMÓTEO: Organização da Igreja e Requisitos para presbíteros e diáconos

 II TIMÓTEO: Comissão para Timóteo (seu discípulo) levar adiante a obra de Paulo

 TITO: Organização da Igreja Local e instruções aos presbíteros


 FILEMOM: Apelo em favor de um escravo fugitivo de Roma (Onésimo)

 EFÉSIOS: A unidade e espiritualidade da Igreja, como Corpo de Cristo

 FILIPENSES: O cristão e as tribulações, os progressos e alegrias na fé

 COLOSSENSES: A proeminência de Cristo, o Cabeça da Igreja

 4.2. Epístolas Gerais

- Autores diversos
- Destinatários indefinidos

 TIAGO: Religião prática, Exercício da fé, Apelo por paciência, pureza e compaixão

 I PEDRO: Fé e esperança dos crentes no mundo, Condutas cristãs no dia-a-dia


 II PEDRO: Oposição às falsas doutrinas e falsos mestres, inimigos da Verdade

 I JOÃO: Encarnação de Cristo, Vida Cristã, garantia e certeza da Salvação

 II JOÃO: Elogios à lealdade e exortações ao amor e contra o erro

 III JOÃO: Hospitalidade dos cristãos, Condenação à arrogância e elogios

 JUDAS (Irmão de Tiago): Advertência contra falsos mestres e exortação à perseverança


 HEBREUS:
- Autoria incerta (possivelmente Paulo, Lucas, Apolo ou Priscila)
- Escrito antes da destruição de Jerusalém (70 d.C)
- Destinatários primários: os cristãos em Roma
- Fortalecimento da fé para não regressarem à tradição judaica
- Resumo da história de Israel com a afirmação da Divindade de Jesus

Unidade 4: História da Teologia - Patrística e Escolástica
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1. Teologia Patrística
Trata-se de um conjunto doutrinário elaborado pelos primeiros Pais da Igreja para refutar o paganismo greco-romano e as heresias surgidas entre os próprios cristãos.

Eram tratados teológicos dirigidos aos iniciantes da fé cristã, versando sobre moralismo, justiça e pecado, buscando conciliar verdades das revelações bíblicas com os pensamentos da filosofia grega.

O conteúdo do Evangelho passou a sofrer, então, forte influência filosófica, pois os padres se viram pressionados a recorrer ao instrumento de seus adversários (pensamento racional) para embasar sua teologia. É o início da “filosofia cristã”.

2. Teologia Escolástica
Com a Idade Média e as invasões bárbaras, a filosofia cristã centrou-se no ensino. A cultura refugiou-se nos mosteiros e conventos, através das coleções de livros.

Nesse cenário surge o Escolasticismo, uma linha do pensamento filosófico-cristão nascida no séc. IX e que se estendeu até o fim da Idade Média (século XVI), buscando resolver o conflito entre a fé e a razão.

Seu nome se deve aos ensinos (artes, filosofia, etc) ministrados nas escolas medievais.

Representa um movimento filosófico-teológico que tentou resolver, a partir do dogma religioso e através de métodos especulativos os problemas entre a fé e a razão, desejo e pensamento, a probabilidade da existência de Deus, a ideia da Trindade, a Criação, o Juízo Final, etc.

O ensino era ministrado, geralmente, na forma de leitura e comentário de textos, inclusive a Bíblia, o que fez surgir diversos gêneros literários: comentários, exegese de textos, questões discutidas e abertas, compilação de debates e grandes sínteses, que procuravam sistematizar a totalidade do saber.

3. Reforma Protestante
Foi um movimento cristão iniciado no século XVI pelo monge alemão Martinho Lutero (1483-1546) que, através da publicação de suas 95 Teses, protestou contra diversos pontos da doutrina da Igreja Católica, propondo uma reforma no catolicismo.

Os princípios fundamentais da Reforma Protestante são conhecidos como os Cinco Solas:
Sola fide (somente a fé)

Sola scriptura (somente a Escritura)
Solus Christus (somente Cristo)
Sola gratia (somente a graça)
Soli Deo gloria (glória somente a Deus)

Unidade 5: Teologia Dogmática
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O que é DOGMA

“(...) Existem verdades, tais como a Trindade, a Ressurreição de Cristo, Sua Ascensão, que são fatos objetivos absolutos, poderiam ser cridos mesmo que suas consequências práticas fossem ignoradas ou julgadas de pequeno valor. Os dogmas da Igreja tais como a existência de Deus, a Trindade, a Encarnação, a Ressurreição de Cristo, os sacramentos, o Juízo futuro têm uma realidade objetiva e são fatos tão reais e tão verdadeiros quanto o fato de Augusto ter sido imperador de Roma e George Washington o primeiro presidente dos EUA (...)”


“(...) Dogmas são verdades eternas que subsistem na mente divina e são reveladas aos homens, intrinsecamente, como definitivas. São desse modo, fatos objetivos, proposições sobre a ordem natural, sobre a realidade sobrenatural e preceitos morais que constituem o corpo da doutrina revelada.


Existem nas Sagradas Escrituras os dogmas formais e explícitos, que são aqueles dogmas que estão expressamente definidos nas Escrituras, e existem os dogmas implícitos que não estão plenamente definidos, pois alguma parte de sua definição ainda não é completamente inteligível ao entendimento humano. Os dogmas implícitos requerem alguma elaboração filosófica por parte da Igreja, sob a assistência do Espírito Santo. Em ambos os casos são verdades reveladas por Deus, confirmadas pela Igreja, como eternas e imutáveis (...)”

É a crença estabelecida ou doutrina de uma religião, ideologia ou qualquer tipo de organização, considerado um ponto fundamental e indiscutível de uma crença.


Não se aplica exclusivamente à teologia, mas também a outros ramos da ciência (Direito - dogmática jurídica, etc.)

Alguns ramos da filosofia utilizam o termo para indicar metaforicamente os princípios básicos não demonstráveis de uma teoria.

Devido à grande expansão do cristianismo fora da Palestina e às polêmicas interpretações acerca das doutrinas e dos ensinamentos de Jesus, iniciou-se um esforço da novel Igreja para tentar preservar a mensagem original de Jesus e a unidade da nova religião.

Para essa unificação foram instituídos os primeiros concílios provinciais e ecumênicos.


Durante a Idade Média a Igreja passou a elaborar um minucioso corpo doutrinário que continha desde simples explicações da Palavra, passando por orientações gerais, até a plena formulação de uma verdade revelada e absoluta, inquestionável e irrefutável.



Embora a doutrina dos primeiros concílios seja aceita pela Igreja Protestante, outros aspectos são veementemente negados, principalmente por faltar-lhes sustentação bíblica bem como pela impossibilidade de se expressar, em termos humanos e imperfeitos, as verdades divinas eternas e transcendentes de forma impositiva.


Teologia Dogmática é, em suma, a parte da teologia que lida com as verdades da fé teórica sobre Deus e suas obras, especialmente a teologia oficial reconhecido por um organismo da Igreja organizada. Às vezes se confunde com a apologética (doutrina da defesa da fé). No entanto, a apologética não é mais tratada como parte da teologia dogmática, mas alcançou a patente de uma ciência independente, sendo geralmente considerado como a introdução da teologia dogmática.

O termo dogmática tornou-se mais amplamente utilizado após a Reforma Protestante e foi usado para designar os artigos de fé que a Igreja oficialmente formulada. Um bom exemplo é a teologia dogmática ou declarações doutrinais dogmas que foram formuladas pelos conselhos igreja primitiva que buscavam resolver os problemas teológicos e tomar uma posição contra um ensino herético.

A formação do Cânon Sagrado

Cânon (gr. kanon) significa régua, instrumento de medição, vara de medir, regra de conduta e fé. A Bíblia é a nossa regra de vida! (Gl. 6:16)

Na Igreja Primitiva a palavra kanon referia-se ao credo. Na metade do séc. IV passou a indicar o conjunto de livros sagrados.
A Bíblia autentica-se a si mesma. Os concílios não santificaram ou sacralizaram o seu conteúdo, mas apenas atestaram e reconheceram sua inspiração e autoridade divina.
Inspiração Divina: theopneustos (grego) soprada por Deus 

"A canonicidade é determinada ou fixada autoritariamente por Deus, sendo, simplesmente descoberta pelo homem” (Norman Geiler e William Nix - A General Introduction to the Bible, 1986)

“O Cânon não é o produto de uma reunião conciliar, num determinado momento histórico, mais foi um gradual reconhecimento de autoridade divina pelos judeus. Então esta coleção de livros foi agrupada e fixada pela Igreja”.

Para que um livro tivesse lugar entre os outros livros da Bíblia, precisava ser canônico; outro livro, sem os requisitos necessários para tal fim, chamava-se não canônico, eram tidos como “não inspirados” (apócrifos – sem assinatura divina).
  
A partir de 397 d.C a Igreja Cristã considera que o cânon bíblico está completo:
AT= 39 livros
NT= 27 livros
Entendendo o Cânon Bíblico

Teste de Canonicidade
Tem autoridade divina? É um assim diz o senhor?
Foi escrito por um homem de Deus? É autêntico?
Tem poder para transformar vidas?
Foi aceito pelo povo de Deus, lido e usado como regra de vida e fé?
Tem o testemunho do próprio Deus?

Na época do silêncio profético (após 400 anos AC), muitos livros históricos e poéticos circulavam entre os judeus. Alguns reconhecidamente sagrados, outros reconhecidamente espúrios e pouco duvidosos. A aceitação destes livros pelos judeus seguia alguns critérios:
Está em conformidade doutrinária com a Lei?
É fiel historicamente?
Foi escrita até Malaquias?

Bíblia católica X Bíblia protestante
Por volta de 250 AC, na versão do VT hebraico para o grego foram incluídos alguns destes livros ainda postos em dúvida. Mais tarde no entanto, os judeus claramente os rejeitaram, porém os helênicos já os consagrara em seu cânon. Deste cânon “Septuaginta” proviria a Vulgata Latina de Jerônimo, e mais tarde a versão Católica.

Jerônimo, entre 385 a 405 AD, traduziu para o latim (Vulgata Latina) a versão da septuaginta que se tornou a versão Católica Romana. Na Reforma, Lutero foi ao hebraico e surpreendeu-se ao não encontrar os apócrifos, fazendo então uma nova versão para o alemão do cânon judeu.

Em 1546, no Concílio de Trento, como Contra-Reforma, os católicos confirmaram o cânon da Vulgata Latina como sagrado
Quais são os livros apócrifos?

- AT: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruque, 1º e 2º de Macabeus, seis capítulos e dez versículos acrescentados no livro de Ester e dois capítulos de Daniel.

- NT: Evangelho de Tomé, Evangelho dos Hebreus; Tratado da Ressurreição; Evangelho de Pedro; Evangelho de Filipe, Evangelho de Judas, Evangelho segundo Maria Madalena, etc.

OBS.: Apenas os livros apócrifos do AT constam da Bíblia Católica

Concílios da Igreja

Atos 15:1-29 - 1° Concílio da Igreja – Jerusalém
- Resolver a celeuma “judaizante”
Concílio de Nicéia (325) 
- Primeiro concílio ecumêmicoConcílio de Éfeso (431)

- Discutiu e definiu a divindade de Jesus
- Definiu a data da Páscoa



- Debates cristológicos e mariológicos

Concílio de Calcedônia (451)
- Unipersonalidade de Jesus


Concílio de Constantinopla
- (381) Divindade do Espírito Santo
- (533) Condenou o Nestorianismo
- (680-681) Condenou o Monotelismo
- (869-870) Depôs o patriarca de Constantinopla

Concílio de Constança (1414-1418)
- Encerrou o cisma papal - 3 Papas
- Condenou o reformador Jan Hus à fogueira

V Concílio de Latrão (1512-1517)
- Maior dos concílios medievais
- Neutralizar o Anticoncílio de Pisa
Concílio de Trento (1545-1563) 
- Mais longo da História. O concílio da Contra-Reforma, deliberando sobre as doutrinas dos grandes reformadores e emitindo numerosos decretos disciplinadores.


Concílio Vaticano (1869)
- Condenou o racionalismo, o naturalismo, o modernismo e proclamou a infalibilidade pessoal do Papa.
- Constituição Dogmática “Dei Fillius”


Concílio Vaticano II (1961)
- Papa João XXIII até Paulo VI
- Renovação e “atualização” da Igreja
- Liturgia, Cerimônias, Vernáculo, etc.


“Tudo quanto diz respeito à interpretação da Escritura está sujeito ao juízo último da Igreja, que tem o divino mandato e o ministério de guardar e interpretar a palavra de Deus”. (Concílio Vaticano II - Constituição Dei Verbum) http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651118_dei-verbum_po.html

Antidogmatismo:

- Fenômeno da pós-modernidade
- Significa a total oposição a qualquer forma de princípios, normas ou verdades absolutas.
- A partir do Iluminismo (“Era da Razão”) o homem torna-se cada vez mais arredio a aceitar qualquer afirmação ou verdade que não venha de si mesmo ou que, pelo menos, não possa por ele ser compreendida.
- O antidogmatismo se opõe a qualquer idéia de tradição de valores, substitutindo-a pela evolução, progresso e pela razão.
- Todo o conhecimento deve ser construído a partir da observação, da experimentação e da razão, jamais a partir da tradição.
- Não há verdades absolutas no antidogmatismo (relativismo pós-moderno)